Muitos dos problemas relacionados com as agressões do clima às tradicionais coberturas em telha cerâmica, tais como condensações e consequente degradação material, para além de climatização pouco eficiente, encontram novas soluções na técnica de aplicação a seco, que substitui a clássica fixação por argamassa. São os denominados “telhados microventilados”, que respondem a muitas das preocupações de quem pretende projetos duradouros e com elevada satisfação do cliente.
Os telhados microventilados de telha cerâmica são uma evolução dos telhados tradicionais. Para além da microventilação sob a telha, caracterizam-se por eliminar o uso de massas e/ou argamassas utilizadas nos telhados tradicionais, substituindo-as por elementos mecânicos – tais como parafusos, clips, ganchos ou grampos – para fixar as telhas, tanto em suportes descontínuos como em suportes contínuos.
Por norma, os fabricantes portugueses de telha cerâmica oferecem os elementos auxiliares e peças especiais de cerâmica que são essenciais para executar corretamente o denominado telhado microventilado.
Este tipo de montagem permite a microventilação entre a telha e o suporte, através da entrada de ar pela parte inferior do telhado, pelo beiral e pelas caleiras, e da sua saída pela parte superior, ou seja, pela cumeeira e pelos rincões.

Como funciona a microventilação?

No verão, o ar contido entre a cobertura de telha e o suporte, quando aquecido, sobe por convecção em direção à saída de ar da cumeeira e dos rincões, permitindo, desse modo, a entrada de ar frio através do beiral e das caleiras. Esta circulação interna do ar resulta num eficaz arrefecimento do telhado e, assim, com as evidentes vantagens para toda a climatização do edifício.
No inverno, pelo contrário, o ar contido entre a cobertura de telha e o suporte é aquecido, mas não o suficiente para produzir uma convecção, conservando o calor.

A microventilação em coberturas de telha tem múltiplas vantagens, entre as quais:

• Amortece mudanças de temperatura e melhora substancialmente o comportamento térmico do telhado em climas quentes;
• Favorece a secagem das telhas, impedindo a humidade de estagnar entre as telhas e o suporte e o consequente aparecimento de condensações, eliminando os problemas de gelividade e bolores;
• A vida útil do isolamento térmico e da impermeabilização é prolongada.


Os telhados microventilados, ao apresentarem melhor desempenho técnico que os telhados tradicionais, são recomendados em qualquer área de Portugal continental e ilhas. Mais: o seu uso, para a correta conceção e execução de telhados com telha cerâmica, é obrigatório em climas húmidos e frios e com altitude superior a 700 metros, segundo a norma UNE 136020.Além das vantagens próprias da microventilação, a fixação a seco da telha de cerâmica permite uma redução significativa nos tempos de execução do telhado, por comparação com a fixação da telha com argamassa.
Para saber mais sobre a execução de um telhado a seco, é conveniente que todos os profissionais envolvidos no projeto de uma cobertura, em todas as suas fases, consultem o “Guia para Projeto e Aplicação de Telhas Cerâmicas”, um manual editado pela Apicer e coordenado pelo CTCV e pelo Instituto Pedro Nunes – Universidade de Coimbra, que contou ainda com a colaboração direta dos produtores nacionais de telha cerâmica.
Trata-se de um guia fundamental, com acesso livre, nomeadamente no site da Apicer.

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